quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Crítica: Filme "Muito Barulho Por Nada"


Crítica:


Filme "Muito Barulho Por Nada" - Joss Whedon


Joss Whedon é um diretor muito conhecido e respeitado nos Estados Unidos e menos conhecido aqui no Brasil. Nos EUA ele obteve reconhecimento com a série "Buffy, a caça vampiros" (1997 - 2003) e o spin-off "Angel" (2000 - 2004). Também foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro como um dos roteiristas de "Toy Story". Como aqui a série "Buffy" não fez tanto sucesso como lá, Joss Whedon só foi fazer grande impressão no público brasileiro como diretor do filme "Os Vingadores" (2012). 

Na sexta-feira, estreou nas salas de cinema um filme com texto de William Shakespeare, o "Much Ado About Nothing", em português ficou "Muito Barulho Por Nada". Whedon usou atores de trabalhos anteriores como Buffy, Angel, DollHouse (outra série que criou) e do próprio filme da Marvel, "Os Vingadores". 

Esse filme, ao contrário da ultra-produção de super-heróis, foi feito de forma completamente independente. Whedon chamou os atores e a equipe para gravar durante 12 dias em sua casa em Santa Mônica. Como já tinha o costume de fazer leituras de Shakespeare com atores com os quais costumava trabalhar, o diretor já desejava adaptar uma peça do escritor britânico para a tela. 

O filme é em preto e branco do começo ao fim e, apesar de trazer o texto original, traz a peça para os nossos tempos, contando a história de amor confusa de Benedick (Alexis Denisof) e Beatrice (Amy Acker). A fotografia em preto e branco é muito bela, apesar do trabalho do diretor de fotografia não trazer grandes inovações ou riscos. O texto de Shakespeare, apesar de difícil, é muito bem dominado pelos atores, em especial o casal principal, Denisof e Acker, que não deixa as palavras engessarem a interpretação, mas usam cada verso para expressar os sentimentos das personagens.

Especialmente Amy Acker, que constrói uma personagem que pode ao mesmo tempo ser feroz com as palavras e ser dócil e carismática. A performance de Acker é encantadora. 

A adaptação tem seu mérito exatamente no ponto em que não modifica o texto de Shakespeare, apenas situa a ação numa casa contemporânea. Esse deslocamento da linguagem formal, antiga e régia provoca um estranhamento bom, pois traz o sarcasmo, que é marca registrada de Joss Whedon em todos os seus trabalhos. 

Parte do público que esperava um filme repleto de ação como "Os Vingadores", acabou decepcionado e saiu do cinema antes da sessão acabar. Infelizmente não conseguiram perceber que aquele era um outro trabalho de um outro aspecto do mesmo diretor, que conseguiu adaptar uma peça de Shakespeare com méritos. 





Nota de um a cinco:

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