quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Crítica: Filme "Bling Ring"

Crítica:


Filme "Bling Ring" - Sofia Coppola


O novo filme da diretora Sofia Coppola conta a história real de uma gangue de adolescentes que roubou roupas, jóias e dinheiro de celebridades de Hollywood entre 2008 e 2009. Dentre as vítimas estavam Paris Hilton, Lindsay Lohan e Orlando Bloom. O total de objetos roubados era equivalente a três milhões de dólares. A diretora e roteirista do filme se baseou no artigo da jornalista Nancy Jo Sales, "The suspects wore loubotins", publicado na revista Vanity Fair.

O ritmo do filme é interessante. A impressão é que não há uma cena desnecessária que poderia ter sido cortada. O roteiro está completamente intrincado e leva o público pela história dos adolescentes de forma quase imperceptível, até o momento final em que vemos um deles no caminho para a prisão. Não há um crescimento de tensão. Os adolescentes começam a invadir as casas de famosos como uma diversão e mesmo que comecem a ficar cada vez mais ousados com a quatidade de coisas que roubam, não parecem perceber em nenhum momento que estavam se arriscando. 

Mesmo quando divulgam pela mídia vídeos do grupo invadindo uma casa, eles não se sentem ameaçados. Parece que se sentem inatingíveis. A gangue vai de casa em casa sem parar para refletir sobre a possibilidade de serem presos, e Sofia Coppola consegue traduzir esse sentimento muito bem com o ritmo do filme, cenas que acontecem sem trazer tensão. Não havia tensão para eles. Os adolescentes - assim como o filme - entram na repetição de ir de casa em casa até que tudo acaba com a prisão. 

A trilha sonora é marcada pelo Hip Hop e músicas adolescentes, o que combina perfeitamente com o estilo de vida do grupo. A fotografia alterna entre tons claros e pastéis em cenas de dia e tons sombrios e muito escuros para as cenas da noite. A decisão funciona muito bem nos momentos antes de entrar nas casas dos famosos, quando mal vemos o que está acontecendo entre eles. A câmera na mão é muito usada, principalmente nas cenas de noite, quando os jovens estão em festas ou invadindo casas, o que ajuda a aumentar a confusão e o clima de euforia experimentado por eles. 

A atriz que interpreta Rebecca, a "líder" do grupo, Katie Chang tem uma boa performance, mas o destaque do filme é Emma Watson, que interpreta Nicki. A atriz britânica impressiona especialmente nas cenas depois que descobrem as atividades da gangue. Quando dá a entrevista à repórter da Vanity Fair, Emma surpreende com grande atuação.

O filme de Sofia Coppola acertou em cheio no ritmo, na trilha sonora e no elenco. A diretora tomou uma ótima decisão de não mostrar cenas do julgamento dos adolescentes. O mais importante da história era exatamente as invasões das casas, que simplesmente aconteciam, sem tensão, sem medo e sem grandes planejamentos. O filme, assim como os roubos, simplesmente acontece e depois termina. 

É interessante pensar também que "Bling Ring" dialoga com a filmografia de Coppola, pois trata de adolescentes nascisistas, a obsessão pelas celebridades e o vazio da fama. Além disso, o filme também fala sobre o rito de passagem da adolescência para a idade adulta. Vemos um grupo de adolescentes perdido que desejava chegar no mesmo lugar que Paris Hilton e Lindsay Lohan num piscar de olhos. 



Nota de um a cinco:

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Crítica: Filme "Muito Barulho Por Nada"


Crítica:


Filme "Muito Barulho Por Nada" - Joss Whedon


Joss Whedon é um diretor muito conhecido e respeitado nos Estados Unidos e menos conhecido aqui no Brasil. Nos EUA ele obteve reconhecimento com a série "Buffy, a caça vampiros" (1997 - 2003) e o spin-off "Angel" (2000 - 2004). Também foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro como um dos roteiristas de "Toy Story". Como aqui a série "Buffy" não fez tanto sucesso como lá, Joss Whedon só foi fazer grande impressão no público brasileiro como diretor do filme "Os Vingadores" (2012). 

Na sexta-feira, estreou nas salas de cinema um filme com texto de William Shakespeare, o "Much Ado About Nothing", em português ficou "Muito Barulho Por Nada". Whedon usou atores de trabalhos anteriores como Buffy, Angel, DollHouse (outra série que criou) e do próprio filme da Marvel, "Os Vingadores". 

Esse filme, ao contrário da ultra-produção de super-heróis, foi feito de forma completamente independente. Whedon chamou os atores e a equipe para gravar durante 12 dias em sua casa em Santa Mônica. Como já tinha o costume de fazer leituras de Shakespeare com atores com os quais costumava trabalhar, o diretor já desejava adaptar uma peça do escritor britânico para a tela. 

O filme é em preto e branco do começo ao fim e, apesar de trazer o texto original, traz a peça para os nossos tempos, contando a história de amor confusa de Benedick (Alexis Denisof) e Beatrice (Amy Acker). A fotografia em preto e branco é muito bela, apesar do trabalho do diretor de fotografia não trazer grandes inovações ou riscos. O texto de Shakespeare, apesar de difícil, é muito bem dominado pelos atores, em especial o casal principal, Denisof e Acker, que não deixa as palavras engessarem a interpretação, mas usam cada verso para expressar os sentimentos das personagens.

Especialmente Amy Acker, que constrói uma personagem que pode ao mesmo tempo ser feroz com as palavras e ser dócil e carismática. A performance de Acker é encantadora. 

A adaptação tem seu mérito exatamente no ponto em que não modifica o texto de Shakespeare, apenas situa a ação numa casa contemporânea. Esse deslocamento da linguagem formal, antiga e régia provoca um estranhamento bom, pois traz o sarcasmo, que é marca registrada de Joss Whedon em todos os seus trabalhos. 

Parte do público que esperava um filme repleto de ação como "Os Vingadores", acabou decepcionado e saiu do cinema antes da sessão acabar. Infelizmente não conseguiram perceber que aquele era um outro trabalho de um outro aspecto do mesmo diretor, que conseguiu adaptar uma peça de Shakespeare com méritos. 





Nota de um a cinco:

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A boa da semana - De 26/08 a 01/09

O roteiro dessa semana está bem variado: tem dança, artes plásticas, teatro, música e cinema. Os destaques são: o festival de cinema no CCBB “Assim Vivemos”, que traz filmes que abordam a realidade do deficiente físico e a reestreia da peça “Edukators”, que fala sobre dois jovens revolucionários num momento de protestos pelo mundo.


"Últimos Remorsos Antes do Esquecimento" em cartaz na Sede das Cias.

Segunda-feira (26/08)

Hoje o teatro Sede das Cias, na Lapa, recebe “Últimos Remorsos Antes do Esquecimento”. A montagem da companhia Os Dezequilibrados se apresenta às 20h, com texto do francês Jean-Luc Lagarce e direção de Ivan Sugahara. A peça conta a história de três ex-amantes que se reencontram anos depois para discutir o futuro de uma casa que compraram quando ainda moravam juntos.

Local: Sede das Cias (Escadaria Selarón - Rua Manuel Carneiro, 10/12 – Lapa)
Informações: (21) 2137 1271
Bilheteria: a partir das 19h
Horário: 20h
Ingresso: R$ 30,00 (inteira)/R$ 15,00 (meia)
Duração: 70 min
Gênero: Drama
Classificação Etária: 14 anos


Terça-feira (27/08)

A mostra panorâmica com obras do artista Abraham Palatnik começa hoje na galeria Anita Schwartz, na Gávea. A exposição vai reunir cerca de 25 trabalhos produzidos de 1950 até hoje. A maior parte é inédita e quatro obras foram criadas especialmente para a exposição. A entrada é gratuita!

Local: Galeria Anita Schwartz (Rua José Roberto Macedo Soares, 30)
Informações: (21) 2540 6446/ (21) 2274 3873 
Bilheteria: a partir das 19h
Horário: de 10h às 20h
Ingresso: GRATUITO



Quarta-feira (28/08)

A partir de hoje o Teatro Café Pequeno realiza a Mostra Paulicéia Carioca, que traz talentos da música brasileira de São Paulo. No show que abre o evento, Demetrius Lulo e Paula Mirhan apresentam o show “Café da Tarde”, com músicas de compositores paulistas, dentre eles o próprio Demetrius.

Local: Teatro Municipal Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon)

Telefone: (21) 2294-4480
Horários: 20h
Ingressos: R$30,00 (inteira)/ R$15,00 (meia)
Capacidade: 100 lugares
Classificação indicativa: 18 anos
Duração: 70 minutos



Quinta-feira (29/08)

Hoje tem festival de cinema no Centro Cultural Banco do Brasil. De 21 de agosto  a 1º de setembro o festival “Assim Vivemos” exibe filmes que abordam a temática da deficiência física. O evento está na sua sexta edição e traz 28 filmes de 17 países. Nesta quinta, um dos destaques da programação é o filme brasileiro “Um Dia Especial”, que narra o cotidiano de diversas famílias com filhos autistas. Para mais informações, acesse o site: http://www.assimvivemos.com.br/2013/pt

Local: Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, s/nº)

Telefone: (21) 3808-2020
Horários: A partir das 14h
Ingressos: GRATUITO


Peça "Edukators" reestreia essa sexta no Teatro Ipanema

Sexta-feira (30/08)

Para começar o final de semana, “Edukators” volta ao Rio, agora no Teatro Ipanema. A peça é uma adaptação do filme de mesmo nome do diretor alemão Hans Weingartner e conta a história de dois jovens que procuram “educar” a sua geração a protestar. Eles invadem casas e mudam os móveis de lugar, mas não roubam nada. A direção é de João Fonseca e o elenco conta com Natália Lage, Edmilson Barros, Fabrício Belsoff e Pablo Sanábio.
Local: Teatro Ipanema – Rua Visconde de Pirajá, 824
Informações: 2267-3750
Horário: 21h
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 222 lugares
Ingressos: R$ 50,00

Sábado (31/08)
O Galpão Gamboa recebe o “Dança Gamboa” com espetáculos de companhias de dança consagradas e da nova geração. No sábado, Márcio Cunha apresenta “Fase Dourada”.

Local: Galpão Gamboa (Rua da Gamboa, 279)

Informações: (21) 2516-5929 
Horário: 16h
Ingressos: R$ 5,00



Domingo (01/09)

O musical que sobrevive há um século, “Forrobodó – Um Choro na Cidade Nova”, invade o palco do SESC Ginástico. O espetáculo traz músicas de Chiquinha Gonzaga e estreou em 1912 no Rio, hoje a direção é de André Paes Leme. No palco, Juliana Alves, Flavio Bauraqui, Érico Brás e grande elenco envolvem a plateia com a comédia contada através do samba e convidam todos a cantar junto.

Local: Teatro Sesc Ginástico (Rua Graça Aranha, 187 – Centro. Tel.: 2279-4027)
Ingresso: R$30,00 (inteira), R$15,00 (meia) e R$5,00 (comerciário)
Horário: 19h
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Capacidade: 513 lugares
Gênero: comédia musical


Os atores convidam a platéia a participar da roda de samba



Quem sou eu?


Olá!

Eu sou Clarissa Braga. Sou também outras tantas coisas, como: estudante, bailarina, escritora, jornalista, assessora de imprensa, produtora, filha, irmã, namorada, prima, sobrinha, afilhada...

Para facilitar, vou dizer quais das duzentas funções que tenho, serão utilizadas para escrever esse blog - como se isso fosse simples como separar frutas estragadas das boas. Vamos fingir então que podemos sim separar nossas funções e usar apenas as que queremos.

Nesse blog serei estudante, bailarina, escritora e jornalista. É pouco!

Escreverei aqui sobre o que tem de melhor para cada semana no Rio de Janeiro. As melhores peças de teatro, espetáculos de dança, shows de música e exposições. Eventualmente farei uma crítica de alguma peça, espetáculo ou filme que assisti.

Vou falar rapidamente sobre a minha experiência com as artes:

Desde que tinha seis anos fui inserida no cenário das artes cênicas. Me formei em 2008 como bailarina clássica pela Escola Estadual Maria Olenewa - da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 2011 me formei bailarina contemporânea pela Codarts (Rotterdam - Holanda), uma das escolas de arte mais respeitadas da Europa. Em 2012 fiz parte da Os Dois Cia. de Dança e me apresentei em diversos teatros do Rio com os espetáculos "Jogo sem Objetos" e "Jogo com Objetos".

Hoje estou no último período de jornalismo da PUC-Rio e também trabalho como produtora do canal de humor no youtube Barata Fumante (http://www.youtube.com/user/baratafumante?feature=watch).

É isso. Na próxima postagem já estarei separando o roteiro da semana para te contar o que tem de bom nos palcos do Rio.